Momento político.

Voltamos aos anos 90. Nenhum líder. Honra e verdades ficam em falta. Discursos vácuos e incompletos, cheio de fragilidades e sem consistência.

Buscam fórmulas mágicas para problemas específicos esquecendo de tantos outros pontos deficitários.

Discursos burros. Fogem de discussões enquanto em debates, apenas discursam. Não pensam em respostas ou ataques inteligentes. Visam um o escândalo do outro e durante sua resposta, como seres programados, mentem discaradamente, para então falar das suas benesses realizadas e, finalmente, discursar.

Usam palavras prontas e pensadas por outros.

Como em um ciclo, chegamos ao fim de um, espero apenas que assim como em outros países a informação possa ser capaz de nos tirar desse círculo maldito de suicídio do país.

As versões de uma democracia.

Geralmente, entendemos que a democracia é a forma mais justa de se governar, mas qual Democracia?

Pense como é reunir diversas tribos com rivalidades, diferenças culturais que, personagens de fora, como nós, enxergariam como pequenas e de possível conciliação. Assim, por considerar uma cultura superior a outra e acreditar que seria possível unir todos estes povos diferentes, decide-se que toda aquela região agora é um país. Uma nação soberana e democrática, com leis e eleições. Diferentes tribos agora juntas sob um regime de leis democráticas, talvez até abolindo rituais centenários, sob regime de prisão ou pior, a morte.

Todo um processo de eleição é realizado, votos contabilizados e tem-se um representante eleito. De uma tribo talvez que acredite não ser tão relevante a “castração feminina” ou que decida que todos os canibais devam morrer. Primeiro passo para uma ditadura ou pior, uma democracia capaz de gerar receita para manter-se e deixar que pequenas guerras internas façam o serviço.

A pior democracia é aquela que se faz acreditar, que não se questiona ou se toma lados. A democracia é uma atitude individual que acaba por si só criando o comum. Cada um com sua própria versão distorcida. Lutamos contra o aborto e contra as armas, cada um separado por, talvez, pequenas diferenças. Para uma raça mais evoluída, talvez sejamos tão evoluídos quanto as tribos subjugadas, mas mesmo assim, lutamos entre nós por estas pequenas diferenças.

A Horta Urbana

Ocupação de espaços públicos através das Hortas Urbanas, criando um ambiente de integração e cultura, além da disponibilidade de alimentos orgânicos.

Há alguns anos este projeto foi idealizado e lapidado conforme a ideia evoluiu.

Através da ocupação de espaços pouco utilizados, ou dentro de parques e outros espaços públicos, a implantação de hortas estimularia a sustentabilidade, a re-educação alimentar e a integração social.

Dentro de escolas públicas, a participação dos alunos em todo o processo ampliaria as experiências vividas em sala de aula.

Mais do que aproveitar espaços até então não completamente vivenciados, a destinação de um local para resgatar um hábito que está se extinguindo nas grandes cidades, solidificará também as relações sociais. O mundo atual nos faz fechados, até mesmo frios. Trancados em nossa própria casa. Que aprendizado maior pode existir se não o da convivência? Um ponto de encontro e união, pessoas de todas as idades e experiências.

 

Horta Urbana. from Klaus Fuchs on Vimeo.

O projeto Horta Urbana foi vencedor do Prêmio Inovação em 2013 – http://www.fae.edu/faeexpress/interna/75782953/fae+completa+teve+quase+9+mil+inscritos.htm

 

 

Essa tal Democracia…

Como pode a Democracia funcionar sem uma sociedade consciente e educada?

Antes da resposta, em tempos de tanto ódio político, é melhor esclarecer – não sou fascista ou a favor da ditadura, longe disso, nenhuma ideologia me agrada em sua totalidade.

A Democracia, já rascunhada pelos gregos, trata-se basicamente de um governo construído pelo povo e para satisfazer as necessidades da sociedade em geral. Mas, o que eu gostaria de abordar seria um fator, dos vários pontos que poderiam ser discutidos, referente a participação popular no processo democrático.

A ideia de que qualquer um possa participar da política e assumir cargos políticos é fascinante, na teoria. Na prática é possível observar que outros modelos podem reger os estados democráticos, criando novos formatos que podem facilitar a inclusão popular ou apenas utilizar os mecanismos burocráticos para que a execução da democracia agrade outros interesses.

O processo político brasileiro mostra-se decrépito e fragilizado. Dentro deste processo encontram-se todos os partidos e mecanismos criados para a perpetuação do poder. Continuamos vivendo um coronelismo, mas agora chamamos este novo modelo de Democracia.

Todos podem participar! Filie-se a tal partido! Faça sua parte!

Mas o seu papel acaba sendo apenas tornar-se mais um número. Aumento das filiações que leva a uma maior visibilidade. Quantidade de votos que sua participação poderia agregar ao número mágico necessário para que o partido ganhe mais cadeiras. Mas quais são suas propostas ou ideologias? Isso não importa tanto assim.

Esse seria o primeiro aspecto falho que encontrei em minhas considerações após buscar uma participação política mais ativa. Não são os melhores preparados que são escolhidos, tampouco há qualquer tipo de preparação política que tenha as diretrizes partidárias como base. Assim, o processo político torna-se uma piada de mal gosto, com personagens que pedem votos a qualquer um, propagandas que buscam atacar e não construir o diálogo e, é claro, muito dinheiro envolvido.

Essa é a participação popular. Todos podem participar, mas e depois? Este é o segundo ponto que gostaria de discutir. Para quase todos os trabalhos que exijam conhecimentos diferenciados, este aspecto é de extrema relevância, mas para os políticos, o mesmo não ocorre.

Não acredito que a simples exigência de diplomas fosse trazer melhorias, penso até que isso talvez gerasse a quebra do sistema de participação popular democrática. Mas tampouco acho que a democracia plena possa ocorrer se não houver formas de elevar o nível da política brasileira.

Qual seria a solução?

Bom senso por parte de quem decide candidatar-se? Como mudar a cultura e consciência de uma população ou grande parte dela, é a dificuldade. Disponibilizar cursos para aqueles que decidem participar ativamente da política e assim, ao menos, preparar os indivíduos.

Um processo de seleção mais elaborado dentro dos partidos? Um processo feito de forma transparente e impessoal poderia ser realizado, mas para isso os partidos precisariam ter posicionamentos melhor definidos. Hoje temos muito mais partidos do que propostas, então para que tantos? A impessoalidade é essencial para que ocorram mudanças dentro do partido e assim, as suas ideias passem a ser mais valorizadas do que os indivíduos.

Basicamente, acredito que a participação popular democraticamente efetiva só ocorrerá no futuro, isso se em algum momento iniciar-se um processo de conscientização política que por sua vez deverá levar a uma reforma política participativa. O caminho é longo, mas precisa ser construído uma hora ou outra.

Enquanto isso, os partidos deveriam se reconstruir, buscar mecanismos que aumentem a qualidade das discussões e as ideias sejam fortalecidas, assim a população teria chance de fazer escolhas cada vez mais conscientes.

 

 

 

Por uma escola sem partido, mas com política.

É estranho ver como as discussões sobre política tem apresentado sempre soluções contrárias, mas nenhuma que tenha convergência de ideias.

Às vezes nenhuma das opções que se encontram na mesa são válidas ou melhores que as outras. Mesmo assim, grandes grupos discutem de forma exacerbada apenas aquelas opções que lhe foram dadas, sem perceber que brigam quase que pela mesma coisa.

A escola deve ser livre de ideologias, acredito nisso e vejo que o processo de formação dentro do processo escolar atinge níveis que não devem ser explorados por nenhuma ideia em específico.

Porém, acho um absurdo que matérias que teriam capacidade de ampliar a formação humana, que estimulam o pensamento crítico, que tornam as pessoas donas das suas ações, não são mencionadas.

Como formar um cidadão sem que ele tenha mínimas noções sobre o processo político do seu país? Como não utilizar o processo político para através de discussões elaboradas, tornar possível que a própria juventude tenha condições de questionar por si só as notícias e análises?

Um processo lento, certamente, mas que sem que seja iniciado, nunca terá um fim.

Por que não inserir atividades extra-curriculares, que sirvam posteriormente para entrada em faculdades, não são dispostas para que alunos com interesse no seu auto-desenvolvimento, possam buscar melhores condições?

Eu acredito que todos deveríamos ter mais opções na mesa.

Como debater e crescer ao mesmo tempo?

Em dias tão turbulentos, debater sobre temas polêmicos tem feito parte do cotidiano. Porém, o respeito sempre deve prevalecer independente da posição contrária.

Sempre se fala que política, religião e futebol não se discute. Na minha opinião, isso é um grande erro. Em relação ao futebol ainda se entende já que é algo muito mais envolto de paixão do que lógica, mas nos outros dois temas, ignorar diferentes pontos de vista apenas fortalecem a nossa própria cegueira.

Os entraves, principalmente em relação a política, seguem a mesma lógica. Um lado defende e o outro ataca, mas nenhum dos dois consegue dar um parecer imparcial. É complicado reconhecer que algumas ideias “do outro lado” são boas. Mesmo as piores pessoas do mundo já tiveram boas ideias, nem por isso essas ideias deixam de ser boas.

Ao conseguir conversar de forma educada e racional, é possível crescer intelectualmente. Ao ser confrontado com pontos contrários sem que se tenha resposta, o ideal é que se pesquise sobre o tema e refine suas conclusões. Crescimento pessoal através do choque de diálogos. Sempre com compostura e respeito.

Um texto de autoria dos consultores Fabíola e Tácito Nobre, discorre sobre algumas formas de comunicação. Destaco algumas partes que considero mais relevantes.

Conversa polida: os participantes não põem em jogo suas individualidades. Mantêm-se no nível linguístico da interação convencional, dos “bons dias” e do “foi um prazer conhecê-lo”. Não é um espaço conversacional que dê lugar ao novo. Pensa-se e age-se aqui de uma forma não-reflexiva, reproduzindo o que é comum fazer em tais momentos, de acordo com o ambiente em que se está. Há a preocupação geral de não fugir às regras estabelecidas, às normas tácitas. O desejo é dar supremacia ao todo, seguir os padrões, evitando perder-se do grupo. Ainda não se levam em conta as tensões e diferenças que poderão alimentar um debate e mostrar a verdadeira face de cada um dos personagens presentes.

Debate: os participantes começam a dizer o que pensam, o que acham, o que consideram certo e errado. É conflito de opiniões, de maneiras de encarar um problema. As expressões são enfáticas: “isso é inaceitável”, “eu conheço muito bem essa realidade”, “você não sabe o que está dizendo”. O grande desafio deste campo é alcançar o diálogo reflexivo, e fazer com que as opiniões pessoais sejam vistas de maneira menos traumática. O risco, em contrapartida, é recair no campo da conversação polida, perdendo-se a oportunidade de progredir no sentido do diálogo generativo.

Diálogo Reflexivo: os participantes param com a verborreia e começam a tomar consciência do que estão falando. O espírito de curiosidade sobrepõe-se à ânsia de debater, palavra que tem em sua formação o elemento “bat”, presente em outros verbos cuja enumeração fala por si mesma: bater, combater, rebater, abater. Se no estágio do debate a tônica é tornar imbatível um argumento, neste predomina a reflexão, a indagação e a surpresa. Os dialogantes permitem-se atravessar momentos de perplexidade, dão-se conta das verdadeiras motivações pessoais que existem por trás de afirmações anteriores. Curiosamente, neste campo do diálogo reflexivo, perde-se o interesse em discutir e convencer os outros. A supremacia ainda está no campo individual, mas não no sentido de uma luta de autoafirmação contra o outro, e sim no da afirmação pura e simples da história e do autodesenvolvimento de cada um.
Diálogo Generativo: é o espaço conversacional da criatividade. As vezes difícil de ser alcançado, nele surgem novas possibilidades, novos papéis, e uma interação mais consciente com o todo. Prevalecem aqui a inteligência coletiva e a percepção de uma lógica transpessoal.
Neste nível de diálogo, cada pessoa percebe e reconhece que possui apenas uma peça do quebra-cabeça que compõe o todo da realidade. Essa percepção e esse reconhecimento conduzem à aceitação serena de que precisa ver as “peças” que os outros trazem. Ver essas peças com objetividade significa também discernir onde pode haver encaixes entre elas, na busca da construção conjunta de uma imagem complexa que, para existir, requer de todos a abertura para o novo e o surpreendente.
Somente quando o grupo todo se dispõe a realizar essa busca, é que se pode falar em “aprendizagem coletiva”. Tal não acontece, por exemplo, quando as conclusões a que o grupo chega, são exatamente as mesmas defendidas por um único indivíduo. Neste caso, não teria havido diálogo, mas simplesmente a disseminação de uma visão individual. Pessoas que já experimentaram o verdadeiro diálogo generativo descrevem que, neste momento, as barreiras entre as pessoas parecem dissolver-se. Há um forte sentimento de união. Cada um sente-se participante de um todo maior. A passagem do tempo parece desacelerar-se e muitos fazem o célebre comentário: “parece que o tempo voou”.

10 medidas contra a corrupção.

Já conhecem as 10 medidas apresentadas pelo MPF que buscam mudanças com o objetivo de reprimir a corrupção no Brasil?

A iniciativa, sem qualquer vínculo político-partidário, tem por objetivo a apresentação de projeto de lei de iniciativa popular ao Congresso Nacional, destinado ao aperfeiçoamento do sistema jurídico, de modo a reprimir a corrupção e a impunidade no Brasil.

  1. Prevenção à corrupção, transparência e proteção à fonte de informação
  2. Criminalização do enriquecimento ilícito de agentes públicos
  3. Aumento das penas e crime hediondo para corrupção de altos valores
  4. Aumento da eficiência e da justiça dos recursos no processo penal
  5. Celeridade nas ações de improbidade administrativa
  6. Reforma no sistema de prescrição penal
  7. Ajustes nas nulidades penais
  8. Responsabilização dos partidos políticos e criminalização do “caixa dois”
  9. Prisão preventiva para evitar a dissipação do dinheiro desviado
  10. Recuperação do lucro derivado do crime

Eu já conhecia, mas depois de assistir a uma palestra do Dr. Deltan Dallagnol onde ele falou sobre a forma como a Operação Lava Jato tem funcionado e logo em seguida as 10 medidas acima foram explicadas, fui atrás de mais informações e entendo que seriam um bom começo para acabar com a impunidade.

Sobre a Operação Lava Jato, foi interessante ver muitos dos argumentos utilizados para denegrir a forma de operação foram rebatidos sem que fosse necessário enrolar muito. Como a questão partidária, que alguns insinuam existir, ele disse algo como:

É normal que numa investigação sobre atos recentes, o governo atuante seja o mais envolvido. Além disso, o PT deu uma maior autonomia ao MPF que possibilitou a investigação, algo que não ocorria quando existia um Engavetador Geral da República.

A determinação demonstrada em ajudar o país a combater a corrupção, a vontade de aproveitar o momento em que a Lava Jato está tendo atenção da mídia para promover essas medidas e, muito importante, a tranquilidade em responder de forma direta a questões polêmicas levantadas pela mídia e militantes, sem utilizar argumentos falhos ou desviar a atenção para outros assuntos, fez com que eu tivesse esperança de ver mudanças ocorrendo.

Sobre as 10 medidas, quem tiver mais interesse, entrem no site que tem muita informação sobre cada uma.

 

 

Motivos não faltaram.

O momento histórico vivido atualmente onde, pela segunda vez em menos de três década o instrumento político de retirada de um governante é utilizado, não é algo difícil de ser explicado. Na realidade, são tantos os problemas enfrentados, mas que a lei não permite punir, que o embasamento do fato jurídico que resultou em seu impedimento não foi o ato mais grave realizado por ela.

Existem três grandes pontos que explicam sua possível saída, a corrupção, que cada vez mais fica escancarada aos olhos da sociedade, talvez tenha sido o estopim de uma perda de apoio popular gigantesca, levando a índices de rejeição que dificultam a governabilidade em momentos de crise, onde algumas ações devem ser tomadas de forma emergencial causando dificuldades a população. Outro ponto que levou ao seu impedimento foi a perda de poder político, as alianças enfraquecidas não eram suficientes para a imposição de propostas nas mais diversas esferas, impedindo reformas necessárias para acelerar a recuperação da maior crise já vivenciada neste país. Finalmente, talvez o fator que tenha influenciado diretamente todos os acima citados, a crise econômica e a falta de qualquer proposta para que ela fosse superada.

Hoje presenciamos uma das maiores crises em nossa história. A falta de perspectivas leva a um ciclo sem fim, onde não há confiança do empresariado para realização de investimentos, a redução da produção e do consumo leva a menores arrecadações o que consequentemente impede que o setor público realize investimentos nas mais diversas áreas. A economia brasileira vive um espiral de decadência nunca antes visto, mesmo que a inflação não tenha atingido patameres similares a anos anteriores, a crise hoje atinge todas as classes sociais através do aumento dos níveis de desemprego e suas consequências nos índices de inadimplência e redução do consumo.

O retrocesso econômico aliado a uma clara falta de capacidade gerencial levou a queda da presidente eleita. O legado dos 13 anos de governo petista tornou-se insustentável ao não enxergar que a manutenção de programas sociais dependem de uma economia que os viabilize.

As quedas gigantescas dos principais indicadores econômicos exibem de forma clara a destruição do setor industrial, algo que, para ser revertido, deverá levar anos. O desemprego volta a atingir valores insustentáveis ao mesmo tempo em que a geração de empregos formais dificilmente permitirão a recuperação a curto prazo do contingente empregado.

Em relação aos investimentos, tanto internos quanto externos, também houveram quedas. O setor público, um dos grandes motores em relação a investimentos ligados a infraestrutura e com grande capacidade de geração de empregos diretos e indiretos, viu sua capacidade reduzida não só por problemas econômicos, mas ao ver as maiores empresas da área ligadas a esquemas de corrupção, as opções no setor ficaram limitadas e escassas. Com o rebaixamento do grau de investimento por empresas internacionais, diversos fundos retiraram seus recursos e outros investidores apresentam receio em monetizar qualquer atividade econômica em um momento como este.

Infelizmente não houve, por parte da presidente, humildade em reconhecer seus erros, levando a um desastre político que é o impeachment. O prolongamento do seu governo apenas fez com que a economia agonizasse sem ver salvação. As mudanças exigidas que poderiam gerar efeitos a curto prazo como a redução da máquina pública eram descartados. Os protestos da população eram, de certa forma, ridicularizados, o maior exemplo foi a tentativa de empossar o ex-presidente como Ministro da Casa Civil, dias após um dos maiores protestos da história brasileira, numa tentativa de blindá-lo das diversas acusações que surgem e indicam o modelo sistemâtico de corrupção implantado nos últimos anos amparado em estatais que hoje definham.

Os indicadores econômicos não deixam espaço para dúvidas em relação ao desastre econômico ocorrido em poucos anos. A recuperação deverá levar anos, mas de nada adiantará enquanto reformas essenciais não forem realizadas. Infelizmente, as ações necessárias deveriam ter sido tomadas no começo de 2014, porém, ano de eleições, uma cortina de fumaça foi colocada sobre os problemas que se agravavam.

Hoje o legado petista pode ser uma herança muito mais maldita do que a proclamada pelo ex-presidente Lula ao iniciar seu governo. Enquanto isso, de forma emergencial, velhos conhecidos da velha política brasileira surgem como salvadores da pátria. Cada vez mais as reformas institucionais tão necessárias são deixadas de lado e o Brasil continua sendo o país de um futuro que nunca é alcançado.

BRASIL – EVOLUÇÃO DOS PRINCIPAIS INDICADORES ECONÔMICOS – 2010/2016
INDICADOR 2010 2016
Produto interno bruto (%) 7,5 -4,0
Produção industrial (%) 10,5 -9,7
Volume de vendas do comércio varejista (%) 12,2 -9,6
Desemprego (% da população economicamente ativa) 7,0 10,9
Emprego formal (geração líquida anual) 2.555.421 -1.853.076
Taxa de investimento (% do PIB) 20,6 18,2
Déficit público (% do PIB) Nominal 2,6 9,7
Primário -2,8 2,3
Dívida líquida do setor público (R$ trilhões) 1,476 2,315
% do PIB 38,0 38,9
Juros nominais da dívida (% do PIB) 5,2 7,4
Juros Selic (% anual) 9,5 14,25
Índice nacional de preços ao consumidor amplo (% anual) 5,9 9,3
Transações correntes (US$ bilhões) -47,5 -41,4
Dívida externa (US$ bilhões) 255,7 333,6
Grau da dívida soberana Investimento Especulativo
FONTE: IBGE, BANCO CENTRAL.

A Herança Maldita

Quando Lula assumiu seu primeiro mandato, bradou ao mundo e repetiu a quem queria ouvir sobre a herança maldita que havia sido deixada em suas mãos. Não que fosse uma grande mentira, afinal a economia estava em frangalhos e em péssima situação. Mas a estabilidade da moeda que possibilitou aos próximos governos realizar planejamentos a médio e longo prazo.

Mas e agora? Apesar de um legado social que deve ser destacado, o PT esqueceu que para a manutenção dos benefícios sociais a matemática é simples. Para dividir riquezas, elas devem ser produzidas. No momento em que a economia entra em um espiral decrescente todo o sistema torna-se insustentável.

Em 13 anos de governo, o combate à corrupção não existiu. As alianças feitas e que agora se voltam contra eles, são culpa do próprio PT.

Falam em golpe, mas que golpe é esse que segue todos os ritos legais e não atravessa nenhum dos poderes envolvidos?

O rombo nas contas públicas, que antes eram maquiadas, escancaram a falta de governabilidade que existia. A culpa pela perda do poder é única e exclusiva do próprio PT. Não queiram falar em conspirações, golpes, trapaças e retrocessos. Aqui alguns exemplos da herança deixada pelo governo petista:

Foram 13 anos para executar os diversos pontos que eram combatidos pelo partido quando não estava no poder. A corrupção tornou-se uma necessidade e, mesmo que tenha quem não acredite, foi sistematicamente utilizada. Os que agora entraram no poder estão envolvidos em corrupção porque o sistema não foi mudado.

Em 13 anos não houve uma ação que alterasse o processo político. São deputados e mais deputados que entram sem nem sequer ter votos suficientes, eliminando qualquer representatividade do povo.

Ainda existem aqueles que falam que tudo aconteceu por termos uma presidente mulher. Ora, já não foi feito o impeachment de um presidente homem? Os erros de Dilma são gigantescos, não por ser mulher, mas por não ter capacidade de gerenciar uma nação. As mentiras em 2014, que não foram sequer contabilizadas no processo, tem um peso muito maior ao povo brasileiro.

Enquanto isso, a todo instante, usam o medo para angariar apoio popular daqueles que tem menos acesso a informação. O medo sempre esteve presente nos discursos do PT, deixando de lado a realidade. Alegam que foram eleitos com 54 milhões de voto, mas esquecem que isso não dá carta branca para cometer atrocidades que levaram a falência da nação.

Agora veio a conta.

O governo das mentiras.

Quando a presidente Dilma assumiu seu primeiro mandato e exonerou alguns ministros no momento em que haviam suspeitas ou comprovações de envolvimento em algum ato ilícito, eu achei que ela iria realmente combater a corrupção. Independente do partido ao qual ela pertencia, até porque eu não acredito mais em ideologias partidárias, eu apoiava e defendia as medidas que ela tomava em seu governo.

Porém, com o passar dos meses algo mudou. Até mesmo aqueles ministros acabaram voltando para os mesmos ou outros cargos. Mas ainda assim, seu governo não apresentava grandes equívocos.
No fim o jogo político teve mais poder. As coligações duvidosas foram cada vez mais fortalecidas, alianças com o PMDB foram mais do que necessárias para a vitória posterior nas eleições de 2014.

Nos últimos anos meu interesse por política aumentou. Comecei a ler mais notícias, ouvir discursos e tomar posições pessoais em relação ao tema. Não me limito a ler notícias apenas de grandes publicações ou apenas as nacionais justamente para que minhas opiniões não fiquem limitadas ou sejam influenciadas.

Porém, cada vez mais, fica claro a total incapacidade da presidente em ocupar tal cargo. Não é por ser mulher, como ela algumas vezes afirma, ou por pertencer ao PT, até porque as ideias iniciais do partido tinham bons posicionamentos principalmente em relação a uma distribuição de renda mais efetiva.
13 anos depois, a igualdade social só foi possível com a manipulação de dados. O milagre do fim da miséria foi pura ilusão. O acesso ao ensino superior aos mais pobres hoje já não é mais uma realidade.

A tal “herança maldita”, termo infinitamente reproduzido até tornar-se verdade, foi justamente o que possibilitou a maioria das melhorias que foram alcançadas, afinal, sem moeda estável como tudo isso poderia ser realizado? Por que não chamar de “herança maldita” todos os problemas que agora tem de ser resolvidos?

Tentam fazer a mesma coisa agora, bradando sobre o tal “golpe”, afirmando que o que foi feito pelo atual governo também foi feito por outros. Ora, justificar seus erros apoiando-se em erros passados não tem fundamento, além disso porque não comparam as pedaladas fiscais dos governos anteriores com o atual? Ah, mas tudo isso foi feito para a manutenção dos programas sociais. Outra grande mentira, afinal o custo de tais programas não chegam nem perto dos valores indicados.

O total despreparo nos discursos da presidente é evidente, mesmo sentindo sentimentos de repulsa pelas bravatas ditas por ela, ouço até o fim. Hoje mesmo ouvi a sua entrevista para a CNN onde absolutamente nada dito por ela tem qualquer fundamentação. Afirmar que o pedido de impeachment tem como base apenas sua impopularidade não é verdade. Que ela vem sofrendo com tudo isso por ser mulher, tampouco. Ela foi a primeira presidente mulher e não obteve índices de popularidade altíssimos em seu primeiro mandato?

Agora utiliza os palanques não para defender o Brasil, mas o seu governo. Em cada ato político o principal tema é sobre o “golpe” e não se preocupa em indicar uma direção para a saída da crise. Já não luta mais pelo Brasil, mas pela sua manutenção no poder.

Acusa o PMDB e Temer de querer usurpar seu posto, o que não é uma completa mentira, mas esquece que foi eleita pelo apoio político que buscou. Se agora este partido ou outro é golpista por não apoiá-la, esquece que foi com seu apoio que consegui governar nos último anos. Quem votou nela, votou em Temer. A foto dos dois estava lá na urna. Se ela teve mais tempo para suas propagandas, também foi pelo acordo firmado com tal partido.

Vale lembrar também que o ex-presidente Collor também afirmava que estava sofrendo um golpe contra o seu mandato e acusou Itamar Franco de derrubá-lo.

Por mudanças mais inteligentes.

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